Sacolas Oxibiodegradáveis – Um tiro no pé

Quase todos os dias sou questionado a respeito do assunto sacolas oxibiodegradáveis, e não me canso de dizer que é um grande engodo que está sendo popularizado através de opiniões pouco ou mal fundamentadas de pessoas renomadas.

O que é uma sacola oxi? Simplesmente coloca-se no processo de fabricação um oxidante, ou seja um acelerador de envelhecimento do plástico e funciona da seguinte forma: a degradação é iniciada no momento da extrusão (derretimento do plástico para moldagem) do polietileno, poliestireno ou polipropileno, através da inclusão de uma pequena quantidade de um aditivo especial. Esse aditivo atua através da decomposição das ligações carbono-carbono no plástico, o que leva a uma diminuição do peso molecular e no final a uma perda de resistência e de outras propriedades.

Isso significa que mesmo as sobras do processo de corte das alças da sacola que normalmente voltam para serem recicladas, já perderam propriedades e dificultam ou impossibilitam a sua utilização. Portanto, aumenta o volume de material imprestável dentro das fábricas que precisarão dar destino correto a tais resíduos.

A aceleração da decomposição aumenta a liberação de moléculas de carbono na atmosfera, aumentando o efeito estufa.

Ongs, Órgãos governamentais nas esferas municipal, estadual e nacional, promotores e até a mídia em geral tem sido levados por essa onda bem orquestrada. Acredito até que com boa intenção, mas quem está por traz dos tais oxidantes? Produtos caríssimos que custam 10 a 20 vezes o preço de um kg de plástico, fornecidos basicamente por uma multinacional britânica líder mundial do setor. Será que a preocupação é mesmo com o meio ambiente?

São fabricados muitos produtos de resinas recicladas, tais como: mangueira para irrigação e construção civil, conduítes, baldes, caixas instalação elétrica, sacos plásticos, abas para bonés, peças e acessórios para móveis, peças para veículos, cabos e componentes de vassouras, escovas e embalagens de produtos de limpeza, pallets e caixas para ferramentas, enfim um número incalculável de produtos que terão um tempo de vida útil reduzido em função do oxi, gerando ainda mais lixo nos aterros.
Por enquanto a única voz mais consciente sobre o assunto vem do Estado de São Paulo, onde tanto o prefeito da capital Gilberto Kassab, quanto o governador do estado José Serra vetaram o projeto de lei. Eles alegaram que as sacolas oxibiodegradáveis causariam impactos ambientais invisíveis, pois necessitam de aditivos poluentes para acelerar o processo de degradação do plástico.
MITOS e VERDADES

• Mito: Uma sacola plástica de supermercado normal sem oxidante, leva 100 ou 200 anos para decompor, faça o teste você mesmo.
Verdade: coloque uma sacola presa a alguma coisa no fundo do quintal e deixe-a no tempo sob sol e chuva e veja em quanto tempo vai começar a se decompor. (entre 120 e 180 dias dependendo da espessura e tipo de material)

• Mito: Consomem-se milhões de sacolas diariamente que são responsáveis pela degradação do meio ambiente.
Verdade: Conforme pesquisas disponíveis em sites especializados, o volume de plásticos, de todos os tipos de plásticos no lixo é de aproximadamente 14 %, sendo que desse total apenas 3 % seriam de sacolas, sendo que mais de 70% desse material volta para as empresas de reciclagem, ou seja o volume de sacolas no lixo se reduz a um por cento.

• Mito: sacolas oxibiodegradáveis são ambientalmente corretas.
Verdade: Elas prometem se decompor mais rapidamente, mas não se iludam: ela só esfarela, não se integra ao ambiente natural novamente. Ao invés de um pequeno problema, a sacola vira um milhão de minúsculos probleminhas que nunca mais vão conseguir ser reunidos.

O QUE DEVE SER FEITO?

AS SACOLAS SEM OXIBIO SÃO FEITAS DE POLIETILENO MONOCAMADA, O MATERIAL MAIS SIMPLES E FACIL DE SE RECICLAR.

• Portanto, deve-se deixar de usar todo aparato, às vezes até truculento, que se está usando contra donos de supermercados, para utilizá-lo na conscientização da população para necessidade da reciclagem.

• Gastar apenas 10% da fortuna que os governos de todas as esferas investem para fazer propaganda daquilo para o qual eles foram eleitos para fazer, em campanhas na mídia voltadas para coleta seletiva.

• Promover programas mais abrangentes de coleta seletiva em parceria com supermercados, escolas, poder público, ongs, cooperativas, empresas de reciclagem e a população em geral.

• Criar nas grades curriculares do ensino fundamental uma disciplina relacionada às questões ambientais.

• Criar legislação que favoreça a enorme quantidade de empresas de micro, pequeno e médio porte que fazem corretamente a reciclagem e ainda sofrem penalidades de órgãos ambientais.

• Reduzir por exemplo o ICMS, que hoje no Paraná é de 27% sobre a energia elétrica usada nas industrias que reciclam materiais plásticos, sendo esse o principal custo variável depois da matéria prima.

• Isso apenas para citar algumas ações que poderiam ser feitas.

QUEM SÃO OS VILÕES DO PLÁSTICO?

• As embalagens belíssimas multicamadas com diversos tipos de plásticos, mais alumínio e papel, que precisam oferecer barreira a luz, calor, umidade etc…para conservarem mais tempo os produtos nas prateleiras, vender mais ou dar comodidade às pessoas. Tipo saches, embalagens de café, biscoitos, salgadinhos, enfim produtos que enchem os olhos e os carrinhos das pessoas que falam mal das sacolinhas de mercado.
• Garrafas pet metalizadas promocionais da coca-cola, que não tem como reciclar.

Precisamos deixar de hipocrisia e reduzir o consumismo exacerbado que gera a necessidade do consumo de todo tipo de recursos pelas empresas e grande volume de lixo industrial ou doméstico.

Reduzir, reutilizar, reciclar……esse é o caminho que o futuro do meio ambiente agradece!

Jonas Bertão – Administrador, Empresário do setor reciclagem e Professor Universitário.
e-mail: jonasbertao@net21.com.br